O acesso ao judiciário pela justiça e a Tragédia dos Comuns

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.12520430

Resumo

O artigo enfrenta o magno tema do acesso à justiça sob o ângulo da Tragédia dos Comuns, tese inicialmente defendida por Garrett Hardin no âmbito da ecologia, mas que depois ganhou aplicação em vários outros ramos, inclusive no Direito. Demonstra o texto que se criou o paradoxo do acesso à justiça, pois ao se permitir o livre acesso ao sistema judiciário houve o seu assoreamento e, como consequência, o excesso acaba impedindo que se tenha justiça. Assim, paradoxalmente o acesso acabou criando o efeito oposto daquele que se pretendia conseguir. O texto não se contenta em apresentar apenas os problemas, mas também possíveis soluções que possam garantir a celeridade na prestação jurisdicional e uma justiça efetiva. Nas palavras de Rui Barbosa, na sua “Oração aos Moços”: “Justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta”.

Biografia do Autor

  • Anderson Ricardo Fogaça, Universidade Federal do Paraná

    Doutorando em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná. Desembargador Substituto do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) e Desembargador Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE).

  • Oksandro Osdival Gonçalves, Pontifícia Universidade Católica do Paraná

    Pós-Doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa; Doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e Professor Titular da mesma instituição. Advogado.

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Publicado

06/25/2024

Edição

Seção

Submissão

Como Citar

O acesso ao judiciário pela justiça e a Tragédia dos Comuns. (2024). DIREITO E LINGUAGEM, 1(01), 57-82. https://doi.org/10.5281/zenodo.12520430